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Inês de Araújo / Meu trabalho parte de uma prática do desenho. Me interesso por séries e repetições pois sugerem o processamento de uma prática de rastros. Séries e repetições flagram desvios, deslocam o sentido das imagens. São operações práticas, mas além de condicionar o exercício de um trabalho, acusam o esgotamento dos conteúdos que investem suscitando questões inesperadas. Repetir e esgotar um gesto, uma forma, uma imagem, rebate o foco de resultados visíveis para o trabalho dos processamentos do olhar. Desviar o foco devolve ao visível o lugar do que falha, do que se esboça, do que resiste a representação. Uma pergunta se torna difusa, não diz mais respeito ao que vemos, mas ao como vemos. Nela, mais do que o poder de fixar semelhanças, identidades, está em jogo uma imagem que escapa e a possibilidade de dissolver e deslocar representações. A sugestiva imagem persiste encoberta, produzindo descontinuidade sobre as certezas do olhar.
Karina Rampazzo / Reflorestamento / Tríptico, 2008