lacuna

Lais Myrrha / Interessam-me as imprecisões da memória e da(s) história(s), suas falhas; por um lado, a impossibilidade de restaurar o que se foi, por outro, as possibilidades abertas pelos rastros deixados ou inventados.  Procuro, nos limites de um mundo tangível, as brechas por onde possa entrever as ruínas de sua suposta permanência, o seu movimento contínuo. Exalto o lado fugidio das coisas: cada trabalho é como uma porta pela qual não se pode passar sem adentrar uma zona onde tudo se mostra movediço, evanescente, circunstancial; cada trabalho é um lugar onde relógios e espelhos, sumidouros de horas e de imagens apontam para a impermanência teimosa das palavras e das coisas.